Nesta segunda e última parte do artigo, falaremos sobre indicadores que nos conduzem à independência financeira.

Continuamos a nossa visita ao livro “Como organizar sua vida financeira”, de Gustavo Cerbasi.

Recapitulando, no primeiro artigo definimos o PMS (Patrimônio Mínimo de Sobrevivência) e o PMR (Patrimônio Mínimo Recomendado).

Rumo à independência financeira

Até aqui definimos níveis de estabilidade financeira para uma visão de curto e médio prazo. Mas é preciso pensar no futuro, que tende a nos trazer uma redução da renda a partir de certa idade.

O patrimônio ideal (PI)

O patrimônio ideal (PI) representa uma reserva financeira compatível com a idade, ou seja, uma reserva que contempla a formação de uma gordura para compensar uma futura redução de renda.

O valor estimado para o seu PI deve ser igual a 10% do gasto médio anual, multiplicado pela sua idade. O gasto médio anual equivale a doze vezes o gasto médio mensal.

Se o seu patrimônio já alcançou o nível PMR, mas está longe do nível PI, você deve ajustar seus gastos e sua capacidade de poupar, para reduzir gradualmente essa distância.

O patrimônio necessário para a independência financeira (PNIF)

Com o aumento da expectativa de vida, fica difícil estabelecer qual é o nível de reserva financeira necessário para cobrir todo esse período.

Uma solução é atingir um nível de patrimônio que permita viver dos rendimentos líquidos que ele gera.

Essa é a ideia do PNIF, que pode ser estimado como o gasto médio anual dividido pela taxa de rendimento líquido anual que o patrimônio gera.

Por exemplo, se considerarmos:

  • Uma família com gasto médio mensal de R$ 5 mil (gasto anual de R$ 60 mil);
  • Uma aplicação financeira com rendimento líquido de 8% ao ano.

Aplicando a fórmula proposta, temos R$ 60 mil divididos por 0,08, que dá R$ 750 mil.

Traduzindo, um patrimônio de R$ 750 mil a uma taxa líquida de 8% ao ano proporciona um rendimento mensal de R$ 5 mil.

Mas cuidado, pequenas variações na taxa líquida podem representar enormes variações no valor do patrimônio necessário para se viver de renda. É preciso manter uma boa administração desse patrimônio.

Conclusão

A educação financeira traz ferramentas que permitem transformar sonhos genéricos e abstratos de estabilização e independência financeira em números palpáveis e em metas alcançáveis.